amplitudes infindáveis: se carregam

de repente a gente se perdeu, não foi?! nuvens que carregam dentro de si sentimentos e amplitudes infindáveis: se carregam. feliz aniversário, bom dia, mil desculpas e tantas outras palavras não acham destinatário: não há mensagem, então. emissor das boas saudades.

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a desconstrução é para todo o sempre

trazia comigo notícias de pessoas minhas que me amaram antes de vocês. me diziam. me descreviam e os convidavam a segurar minha mão nesse rio caudaloso e fértil que é existir.

o frio se dissipou numa ciranda incrível de possibilidades: podemos todos! dificilmente eu digo não. vai dar certo, de alguma forma – e estamos todos vivos – precisamos falar de literatura, de palavra, de coragem.
a desconstrução é para todo o sempre.

justamente porque lá fora as ruas me diziam: CALMA.

jamais deveria ter ousado duvidar da capacidade que tenho de me encontrar e me deixar nos outros. sete dias tendo que ser bem maior do que me sei e me espalhando nos portinhos seguros que crio. amor dará e receberá: agradeço.

as cidades vão tornando-se tangíveis, palpáveis e passam a ter outras nomenclaturas. Curitiba é Renata e toda a sua generosidade em se ofertar e em me receber entre lágrimas, sonhos, alegrias e descobertas. Curitiba é Mika, que prepara o voo, o salto e o porvir. A mulher de olhar entregue que ri fácil e abraça gostoso. Curitiba é o Artur, a Bel, a Isabella, seu Luiz, Reinaldo, Daniel e sua calmaria, Vitor e sua eletricidade de engolir o mundo, Antoni e o olhar mais doce que já recebi. Curitiba é Viviane e sua letra bonita, é Sthepanie e o mundo a se descortinar.

Curitiba sou eu mesma, que aguentei o tranco e o caos interno justamente porque lá fora as ruas me diziam:

CALMA.

aquela espécie de amor amigo que ultrapassa a romantização dos sentimentos

Fumei maconha. Essa frase tem um atraso de – pelo menos – vinte e cinco anos, quando uma de minhas melhores amigas me passou o baseado enquanto olhávamos o mar, plena Praia de Iracema de manhã, gazeando aula.

Deitei no chão da sala, naquele dia frio, o coração tão apertado. Bolou o beck e me ofereceu calmaria. Mas, e se eu passar mal?! Eu cuido de você. Não pensei duas vezes. Traguei duas vezes o que me prometeria paz. Me impregnei de plenitude e risada solta. Afundei no chão daquela sala, onde se consolidava, aquela espécie de amor amigo que ultrapassa a romantização dos sentimentos. Segura minha mão, Rê, e vem voar comigo na belezura desse céu azul que em nada nos aquece. Encontro porto seguro e conforto na entrega de quem começa a me saber desarmada, disposta, entregue. Coração todo quebradinho, mas vamos colar essas pecinhas com fios de afeto. Acende outro?!

olha, João, vê como o mundo é incrível!

naquela tarde, logo após atravessar o frágil portão de madeira daquele reino das terras altas, a notícia chegou. eu, quase sem conexão virtual com o ‘lá fora’, pedi em áudio que sucintamente me explicassem: ele foi condenado a nove anos de prisão por um crime que jamais provado.

guardei o celular no bolso e acompanhei a coleta de laranjas, limões, goiabas e côcos. uma família se divertia em gargalhadas e no processo único da ampliação afetiva. até onde a vista alcançava, nuvens e vento, eu mentalizava em silêncio para que aquela onda ruim não abalasse o mundo, não me deixasse desistir, não me fizesse esmorecer.

ei, Anna, quer caminhar mais até ali?! olhamos o céu em tons de rosa e paramos para ouvir o balançar da cauda da cobra. olha, João, vê como o mundo é incrível! cruzamos os olhares como quem confidencia o prelúdio de mais um milagre invisível e silenciamos.

não podemos desacreditar no amor em nenhuma de suas formas, João, não podemos.

quero em demasia, aliás!

vou te ser sincera: eu quero!
quero muito, inclusive!
quero em demasia, aliás!

acordei com essa canção melodramática tocando em looping e essa pessoa que cantarolava baixinho escovando os dentes, aquela moça batendo o pé num possível compasso esperando o café coar, aquela mulher que sorri com os olhos porque sempre se vê grávida de um futuro, descobri: eram todas a mesma pessoa.

é preciso mesmo esse aventurar-me entre o não saber e o querer – muito – sentir.

cada folha daquele caderno amarelado, florido, costurado nas mais altas terras de um território nomeado reinvenção de si me trouxe teu sorriso e teu olhar de inquietude. e como quem busca o ar depois de um longo nado subaquático em mar aberto, ora calmaria, ora desespero, senti o tal quentinho no coração de quem sabe que é preciso mesmo esse aventurar-me entre o não saber e o querer – muito – sentir.