como não amar, não querer bem essa ariana destemida e teimosa?!

Fortaleza é meu gentílico. É casa, passeio, quintal e alento. Apesar de tanto ‘apesar de’. Fortaleza é chinela havaiana na Praça do Ferreira, ver o sol se ir em plena Ponte Metálica. É pensar em formas de chegar mais rápido em casa, após o final do dia, cansado. É estar cansada e se reinventar em cores para cruzar a cidade e ir abraçar quem se ama. É periferia e suas bodegas, suas cadeiras na calçada, sua ausência de poder público. Fortaleza é tanta paixão, tanto romance, tanta alegria e barzinho na esquina a cantarolar as músicas mais queridas. É o labirinto do Zé Walter, o emaranhado do Benfica e o ninho da Maraponga.

Longe de Fortaleza, o coração toma susto com a velocidade e as distâncias das coisas. Se erguem mais mais elefantes e hipopótamos brancos e amarelos. Observo e me incomodo, o olhar ainda tão perto. Fortaleza é o Marista Cearense e aquela coisa toda de poder viver meu mundo e ser mais ampla. Realizo meus desejos e meus recreios são mais longos, agora.

Fortaleza, capital do humor, do amor, da violência, do abacaxi gelado no palito, da mão-de-vaca nas madrugadas, das descobertas da vida, das passações em plena luz do dia, da casa dos amigos, da casa pra receber os amigos! Dos banhos de mar no final da tarde no Náutico, haja esgoto, haja amor! Fortaleza de aprender a comer sushi em plena sexta-feira enquanto Michael Jackson se ia. Fortaleza de tantas chegadas e idas e sorrir e soluçar com o avião a tocar o solo em solo alencarino.

Fortaleza e minhas tardes e noites na Messejana, rua três. Fortaleza do meu acordar no Rodolfo Teófilo, das minhas magníficas vivências pelo bairro Damas. Fortaleza que sempre será meu porto seguro no João XXIII, que sempre será meu medo e meus ais na infinita Avenida Perimetral.

Fortaleza que se estende até o Jereissatti II, casa de meus avós mais queridos e presentes, meus presentes. Fortaleza de tocar violão debaixo do pé de tamarindo.
Fortaleza percorrida no Quintino Cunha, na Aldeota réa cansada, no Henrique Jorge, no Montese e na Sabiaguaba. É meu pedaço de chão, calçada de passeio feliz as ruas da Cidade Dois Mil, o Jardim América e o calçadão da Beira Mar, amar!

Continuar a amar Fortaleza que me expulsou de suas artérias, mas como não amar, não querer bem essa ariana destemida e teimosa?!

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terra de bandeirantes

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diante da vastidão de ilhas, marés, frente fria, percursos traçados por aves migratórias, encontros, despedidas, releituras, coragem e fé, eu te alcanço e me achego ao teu corpo deixando-me permanecer. ora calada, ora com a veia cômica aumentada, mas sempre com a mesma paixão de quem espera e anuncia as mais reluzentes descobertas do amor.

aprendi com a melhor!

bem forte ela me abraçou, bem demorada aquela cena, como se ela estivesse me pedindo desculpas, me desejando pêsames, sentindo muito por tudo. tudo está bem agora, eu disse, ainda enlaçada enquanto iniciava uma neblina matinal de março. afrouxou o laço e segurou meu rosto, em lágrimas, dizendo que eu era linda, uma menina forte, abençoada. agradeci, sorrindo, e justifiquei: aprendi com a melhor! está tudo bem, agora, repeti. saí para encontrar os meus sob um temporal anil.

enfim, pousei.

treze de maio de dois mil e quinze. setecentos e trinta dias vivendo no crato.
parece uma eternidade e me assusto com o pertencimento. parece que foi ontem a decisão de colocar sonhos, vontades, coragens, cachorra, passarinho, moto e cama num caminhão.

treze de maio, hoje. pés descalços, numa roda de energia, sob o céu mais estrelado de todos os céus.

enfim, pousei.

é tudo um atravessamento.

eu honro meus antepassados, minhas raízes, minhas memórias.
cada célula minha é um emaranhado das pessoas que por mim passaram, pelas situações que vivi com e para elas.

alguns dos meus, muito queridos, não mais caminham por esse espaço de tempo e vida.

clarice, vó gilda e raimunda, mainha e tia zezinha, vô pedro, nina, lupy e kelvin. tia júlia, mestre antônio anicete, renato russo, cazuza e jonh lennon.

é tudo um atravessamento.