se você vem comigo / eu não choro mais…

tampei o lápis de olho e pensei: hoje vou tirar toda essa coisa ruim que tá aqui dentro, hoje vou me divertir! saí quase às sete da noite para o tal pré-carnaval que já estava pegando embalo na fortaleza de dois mil e dez. sem bolsa, celular no shortinho, liga pra amarrar o cabelo do calor, quase sem dinheiro algum – pra variar – , desci no benfica muito bem disposta a exercer toda a minha solteirice, embalada pela maravilhosa energia do luxo da aldeia, que ainda não era bloco, ali naquelas ruas da gentilândia.

centenas de pessoas sorriam e dançavam e bebiam suas latinhas de cerveja e logo logo seria o carnaval, quanta alegria! quantas possibilidades de paqueras e tantos abraços e olhares e e carências alcoolizadas. levava uma garrafinha de água saborizada que continha em seu conteúdo vodca pura. apenas esses 500ml poderiam me deixar animadinha, e ainda daria pra dividir com os parceiros que logo mais encontraria.

na esquina da rua joão gentil com padre francisco pinto recebo uma mensagem telefônica que me deixaria com aquele já conhecido frio na barriga: soltei um sono eiiiita! que aguçou a curiosidade dos que estavam por perto. era ela, aquela menina da qual já havia, três anos antes, feito juras de amor e tomado um pé na bunda (tem um capítulo muito doido entre uma coisa e outra!), e que há alguns dias havia voltado a me seduzir em sms’s e ligações interurbanas, me convidando ao irrecusável salto da paixão.

o que eu quero dizer / o teu sorriso atrai / entre as coisas mais lindas / você me dá prazer / você me dá cartaz / é tudo que eu preciso…

sorri sem jeito, feito besta, tipo boba e saracotiei o corpo naquela canção, a preferida, tendo uma certeza única:

sete anos, amor.  minha resposta ainda é sim. ainda tua. ainda nós.
todotempo, enquanto for bom.

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