tudo é livre!

amanhã o dia vai ser diferente de outro dia, eu respiro, eu sei, eu rezo e caminharei por aquela estrada que em nada me facilita a vida, mas vou pulando aqueles obstáculos, chutando aquelas pedras, derrubando as coisas: saiam do meu caminho que preciso passar com minha liberdade!

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estar perto dentro, ao lado, contido contigo

eu desejo à você, do fundo mais bonito que há mim
que um breve dia você alcance
abrace sacuda beije cheire
lamba sugue percorra
e
que esse outro ser
que tanto você deseja
estar perto
dentro, ao lado, contido
contigo
também queira
e que não haja oceano algum
nem empresas intermunicipais
interestaduais
apenas interestelares línguas

há de fazer sentido
esse sentir todo

enfim, pousei.

treze de maio de dois mil e quinze. setecentos e trinta dias vivendo no crato.
parece uma eternidade e me assusto com o pertencimento. parece que foi ontem a decisão de colocar sonhos, vontades, coragens, cachorra, passarinho, moto e cama num caminhão.

treze de maio, hoje. pés descalços, numa roda de energia, sob o céu mais estrelado de todos os céus.

enfim, pousei.

é tudo um atravessamento.

eu honro meus antepassados, minhas raízes, minhas memórias.
cada célula minha é um emaranhado das pessoas que por mim passaram, pelas situações que vivi com e para elas.

alguns dos meus, muito queridos, não mais caminham por esse espaço de tempo e vida.

clarice, vó gilda e raimunda, mainha e tia zezinha, vô pedro, nina, lupy e kelvin. tia júlia, mestre antônio anicete, renato russo, cazuza e jonh lennon.

é tudo um atravessamento.

tenho essa obrigação de saber entender um dia pleno

hoje é um dia feliz. recebo e partilho amor.
me sinto em casa, com os meus, apesar de.
por isso mesmo, pelo apesar de, tenho essa obrigação de saber entender um dia pleno.
o caminhar é o que importa, as pedrinhas, pedronas e as gotas de chuva das estradas e veredas.
hoje foi um dia bom. experimente conversar com a sabedoria de quem tem 100 anos e com a sabedoria de quem tem oito.
receba esse presente que é ter uma história e ainda continuar a construí-la, com afeto.
GRATIDÃO, mundo.

O silêncio nos torna íntimos.

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atraverssiamo
uma cidade que se vestia de preto e entoava metal pesado. íamos nós, caladas, Aldeota adentro ouvir Márcia Baja falar da lucidez do amor e dos relacionamentos.
nos olhávamos e não nos entendíamos, mas quase todos, em suas posturas forçadamente eretas sorríamos com o canto da boca.
O silêncio nos torna íntimos.

o tempo nem sempre é amigo, mas é fiel

cento e cinquenta dias. o tempo vai passando, essa ampulheta de areias coloridas, de areias acinzentadas, de areias movediças. o tempo nem sempre é amigo, mas é fiel. permanece ao meu lado, desfiando pensamentos, aquarelando sensações e vazios, sendo apaziguador de meus medos.

tem dias que o desespero da presença açoita. tem dias que a raiva me veste. e há os dias de lembranças bonitas, de risadas e até da conversa solta no espaço.

você está, mamãe.

Nesse catecismo aprendi a mentir

Em 1990 eu dei um baile na irmã Francisca porque eu gastei o dinheiro que seria para comprar essas duas velas e uma tiara (que não usei!) comprando figurinhas pro meu álbum da Angélica. Era dezembro, nossa primeira comunhão, também estava nervosa com a hóstia pregada no céu da boca e pensando em chegar logo em casa para poder comer o bolo que a Tia Auxiliadora tinha feito, com chocolate quente.

Eu tinha onze anos e minha irmã caçula ainda era um espermatozoide vesgo. Com o tempo, adorava usar esse vestido pra jogar vôlei na rua. Devo à igreja católica apostólica romana, não nego. Mas ela me deve muito, muito mais! Nesse catecismo aprendi a mentir e medir o valor do tal pecado. Logo descobri que não havia culpa se não a da própria consciência (nesse caso, nunca tive!). Esse deus-deusa-buda-lama-lhama-oxum-harebaba-108 barra barra é de boa e só quer que a gente faço bem, toque os outros com amor, faça uma diferença boa no mundo. Vou seguindo…